segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Mapeamento dos espaços culturais e grupos teatrais em sua cidade.


UAB - Universidade Aberta do Brasil
Polo de Primavera do Leste-MT

Disciplina: Pedagogia do Teatro 1 TEA UAB 3

Professora Autora: Sonia Paiva
Professora Supervisora: Cyntia Carla
Turma: Teatro 11
Aluno: Vilma de Jesus Marinho
Tarefa: Mapeamento dos espaços culturais e grupos teatrais em sua cidade.
Em Primavera do Leste/MT não há espaço de se fazer teatro, o eu temos é um cinema que por vezes alugamos para apresentações. Com capacidade de público 300 pessoas, metragem do palco de mais ou menos 10m de comprimento por 5m de largura.
Março é um mês especial para a Cia de Teatro Faces, do município de Primavera do Leste. Com vários motivos para comemorar, a Cia escolheu o dia 18 para celebrar seu aniversário, que oficialmente é no dia 20, o dia Nacional do Teatro para Infância e Juventude (20.03), o Dia Mundial do Teatro (27.03) e ainda a inauguração do Ponto Cenpro Faces de Cultura.
“É quase uma vida dedicada à arte, me alimentando de arte, vivendo de arte e sonhando a arte. Estou feliz por essa caminhada nos ter permitido tantas coisas maravilhosas. Acredito que o sucesso da Cia vem da preocupação em sempre se aprofundar ao máximo em cada trabalho. E também do público, que sempre nos prestigia de uma maneira muito carinhosa. Essa festa é de vocês, uma das melhores plateias de Teatro para qual apresentei”, comenta o fundador e diretor da Cia, Wanderson Lana.
A fundação da Cia se deu no ano de 2005, nas dependências da Escola Estadual Getúlio Dornelles Vargas. Inicialmente, os trabalhos eram voltados para o público infanto-juvenil. Após seis anos de trajetória, o grupo conta com um elenco permanente formado por 14 atores profissionais e atualmente trabalha com as diversas linguagens culturais.
Outro ponto que o diretor ressalta é o sentido de implantar na comunidade a importância da existência dos profissionais que trabalham com arte e sua valorização financeira. “Desde o início do nosso trabalho tivemos essa preocupação. Hoje, doze dos quinze membros da Cia trabalham e recebem mensalmente por suas atividades como artistas”, comenta.
Em 2011 foi inaugurada a Cia Faces Jovem, formada por jovens atores oriundos da Escolinha de Teatro Faces e que buscarão a profissionalização na área das Artes Cênicas. E, falando em profissionalização... a parceria da Cia Faces com a Prefeitura Municipal rendeu bons frutos, entre eles: a Faculdade de Licenciatura em Teatro. As aulas da primeira turma começaram em março. Lana aponta que Primavera do Leste é a única cidade de Mato Grosso a possuir projetos de teatro desde a iniciação até a formação superior.
PONTO DE CULTURA
Sobre o Ponto de Cultura, Lana afirma que esse trabalho só foi possível graças às parcerias que a Cia Faces firmou com a ONG Cenpro, a Prefeitura Municipal de Primavera do Leste, a Secretaria de Estado de Cultura e o Governo Federal. “Iremos atender cerca de 500 jovens interessados no fazer teatral. As aulas são gratuitas e acontecerão em oito pólos e mais dez instituições”, esclarece.
Através do Ponto a Cia terá condições e mecanismos para continuar desenvolvendo suas ações ampliando ainda mais o que de possibilidades de atuação. Lana conta que eles estão pensando na possibilidade de montar uma biblioteca voltada para literatura e teatro. Além disso, adianta que realizarão uma campanha e diversos cursos como contação de histórias, adaptação de textos infantis e oficinas de incentivo a escrita da poesia para fomentar a leitura e o surgimento de novos escritores. Também farão uma campanha de doação de livros.
No mês de maio o Ponto de Cultura abrirá as portas para o audiovisual. A equipe vai trabalhar com produção de roteiros, curtas-metragem, oficina de criação de roteiros e edição de vídeo. Ainda na área digital, ofertarão cursos profissionalizantes de criação gráfica e artística.
Quem produz o material relativo aos vários aspectos da encenação. Especifique se o profissional faz parte do grupo de teatro ou se é contratado por fora para esse fim, além de sua formação:
Produção: Luis Antônio
Cenografia: Wanderson Lana
Figurino: Wanderson Lana
Maquiagem: Wanderson Lana
Iluminação: André
Sonoplastia: André
Arte gráfica: Rafaela
Acessória de imprensa: Rafaela




























segunda-feira, 15 de outubro de 2012

A pedagogia teatral de Jacques Lecoq


1.1- Tendo como referência o texto de Lúcia Romano “ O Teatro do Corpo Manifesto: Teatro Físico”  discorra sobre o legado de Jacques Lecoq no contexto do teatro contemporâneo.
Considere a seguinte afirmação de Lecoq, para refletir sobre os exercícios e/ou cenas de Arlequim nos vídeos disponibilizados pela plataforma da disciplina:
Assistindo o vídeo percebe-se que Alberto Camerini, trabalha com mímica corpórea, no qual o ator exprime suas potencialidades comunitárias e artísticas, onde não é a ausência de textos falados, mas a geração de um corpo expressivo que emprega o visual e o sonoro, numa valorização do silêncio e do som. Percebe-se também a presença da máscara que implica na estruturação da expressão do som e do corpo.
"As nove atitudes (de Arlequim) e suas justificativas dramáticas são interessantes, por serem portadoras de várias contradições. (...) Todas as grandes atitudes são portadoras de múltiplas possibilidades e, nisto, são eminentemente teatrais e pedagogicamente ricas. Cabe aos alunos aventurar-se, descobrir todas as possibilidades, especialmente nas passagens de uma atitude à outra (Lecoq, 2010:79)."
II- Considerando as reflexões de Dario Fo a respeito da máscara teatral, desenvolva os seguintes termos e conceitos:
2.1- gestualidade e gesticulação
Para Dario Fo Dario Fo a gestualidade está num segundo plano se apegando as palavras como foco da sua interpretação, para ele o ator deveria se preocupar em controlar a própria gestualidade, para alguns atores constituí-se numa verdadeira luta controlar seus movimentos, nunca sabem o que fazer com os pés e as mãos, e esses pequenos gestos perdidos desviam a atenção do público do que deve ser visto em cena, e entrega um ator sem consciência de suas ações. Pois é necessário que haja uma seleção dos gestos e total consciência dos mesmos por parte do ator, para que esse se comunique sem utilizar uma gama exagerada de movimentação. Na gesticulação há um conjunto de gesto que fazem uma mímica a se apresentar.
Em relação às máscaras, Dario Fo articula a ideia de que é impossível fazer caretas ou expressões bizarras, então o ator consegue dar expressão e mobilidade a mascara devido à contribuição gestual de todo o corpo.
Com tudo isso a mascara impõe uma síntese do gesto no qual envolve a gestualidade corporal atingindo um efeito de multiplicidade de gestos.

III- Quais relações é possível estabelecer entre o Teatro Imagem de Augusto Boal, os exercícios sobre cenas estáticas desenvolvidos na disciplina e/ou postados na plataforma e as fotonovelas desenvolvidas pelo projeto Arte/Fatos?
O teatro de imagens de Boal tem como objetivo ajudar os participantes a pensar com imagens, a debater um problema sem o uso da palavra, usando apenas seus próprios corpos e objetos.
As cenas estáticas desenvolvidas pelo projeto Arte/Fatos, são cenas elaboradas por atores são fotografadas e dispostas sequencialmente para contar uma história, assim, ela pode ser um exercício que utiliza um repertorio expressivo e gestual para comunicar o sentido da história através de cenas estáticas, sem movimentos.


domingo, 30 de setembro de 2012

Adolphe Appia


O corpo em cena


“O ator é um  narrador de uma ação, encarnando ao mesmo tempo, seus personagens” (A arte do ator p.1). Através desse caminho em que a história do ator perpassa podemos perceber o quanto o ator é influenciado por arte do século XII, pela gesticulação burlesca, pela pantomima.
No texto "A ARTE DO ATOR" de Jean-Jacques Roubine e tradução de Yan Michalski e Rosyane Trotta ficam bem claro isso que você diz sobre o corpo ser um caixinha de surpresas. No trecho da página 48 "Fluido como camaleão. Homem-teatro, como já se havia dito de Artaud, uma vez que sozinho com a ajuda apenas de seu corpo e de sua voz, ele é um espetáculo "em cem atos diferentes". (...) Num teatro como este, a exaltação do corpo, sua ubiquidade, permitem uma utilização renovada e enriquecida da palavra (...)". Às vezes, a voz que já é extensão do corpo e inserida a ele, não se faz necessária, pois o corpo já diz por si próprio. O ator se utiliza do corpo como um instrumento. Ele precisa se expressar e para isto existe um treinamento que é de importância para a preparação do corpo e do ator.  Porém, é preciso que tal movimento participe da interpretação do papel, ao mesmo tempo, em leitura, adverte para a formação do ator que, visará assegurar a autenticidade do gesto.
Para cada personagem o corpo precisa de uma interpretação diferente. O ator tem que cuidar do ator e do personagem para não trazer isto para seu cotidiano. A preparação corporal do ator teatral é de suma importância pelo fato de que é por meio dele que o ator se expressa, e é de se notar o quanto o ator vem-se preparando ao longo dos séculos, estudando, observando e se reformulando para o ofício ator em teatro. Percebemos que em cada época os gestos do corpo tiveram uma significação diferenciada, e que é trabalhada de acordo com a cultura da época, passando desde a tradição de pantomima até a expressividade do gesto, no qual os ocidentais baseiam-se na expressividade do gesto. Wesp definiu o gesto e a palavra dentro do teatro em três citações, o gesto de acompanhamento, o gesto de complementação e o gesto de substituição, no qual os três se complementam em linguagem teatral e um modo de expressão do eu profundo do personagem e ou do ator.
Os gestos tem uma importância e depende muito da proposta empregada ou do diretor em questão. O corpo por si só, por vezes torna-se gesto, sem movimentos que caracterizam alguma ação. O maior cuidado com o gesto, no formato contemporâneo é se tornar caricatura plena e óbvia de um sentido qualquer. E realmente, o corpo necessita de preparação constante e direcionada, pois nós que somos da arte, e o corpo na maioria é instrumento de trabalho. Nota-se que o ator ou bailarino precisa aproximar da sua limitação física, para realizar bons resultados e performances, mas sempre com atenção e acompanhamento. A resistência aparece com os treinamentos.
O ator tem que ter domínio sobre os gestos, tem que saber emprega-los no momento certo. Para isso é preciso que haja todo um trabalho com o corpo, voz, respiração, postura, flexibilização etc. Tem que haver uma harmonia entre as palavras e seus sentidos e os gestos.
No texto A arte secreta do Ator de Eugenio Barba, vemos a imagens performáticas de vários povos nos dando ideia de como cada um se comporta diante de um gesto dentro de uma sequência de cena. No exemplo dos romanos percebe-se uma disciplina cênica relacionada com a interpretação da vontade divina, isso herança herdada dos etruscos. Os indianos trabalham com os arcos, dando a sensação de graça e leveza. Na página 184 a 185 vemos o trabalho com a oposição em que a clareza e o rigor de um trabalho para o ator têm como objetivo descobrir regras de movimento sob a luz do que percebido pelo espectador. Na página 187 e 188 fala sobre a pré-expressividade que é um conceito da Antropologia Teatral e segundo Barba, o nível pré-expressivo diz respeito à presença física do ator e por isso, ele se contrapõe com o nível expressivo, quer dizer: ele existe antes deste. O nível pré-expressivo, é um nível operativo, onde vai dar possibilidade ao ator de se expressar, de trabalhar sua presença, energia, uma coisa não é desconectada da outra.
Dentro do nível pré-expressivo há o que é chamado de oposição, que estuda acerca do movimento, dos gestos, das ações físicas e das partituras que construímos durante todo o dia, quer seja consciente ou inconsciente ou subconsciente. O trabalho psíquico-corpóreo do profissional da arte quer seja em especial ator e professor de teatro, fundamentam bases de investigação e de pesquisas e consolidam resultados de processos de trabalhos artísticos e entrega por completo aos mesmos.
Contudo isso, expressões da arte de atuar, com o corpo em cena, e quando pensamos em simetrias e assimetrias do corpo que fala em virtude genuína desses parâmetros de dialética que se constroem e desconstroem constantemente. O elo dessa linha imaginária é sustentado de origem pelos orientais que dominam vorazmente princípios e técnicas específicas. O papel dinâmico do ator na sociedade refere-se diretamente em repensar ações extra cotidianas e fazê-la refletir nas consequências delas. A estética, a metodologia e o perfil desses conflitos geram definições de linhas tênues das tão famosas propostas de trabalhos artísticos. O texto disponibilizado nesta semana "A Arte Secreta do Ator" de Nicola Savarese e Eugênio Barba p. 184 pontua que "O ator desenvolve resistência criando oposições: essa resistência aumenta a densidade de cada movimento, dá ao movimento uma maior intensidade energética e tônus muscular. Mas, a amplificação também ocorre no espaço. Por meio da dilatação no espaço, a atenção do espectador é direcionada e focalizada e, ao mesmo tempo, a ação dinâmica do ator torna-se compreensível." Diz muito esse trecho e amplia ainda mais os níveis de exploração da área em questão. O rompimento de determinada ação explorada transgride e elucida caminhos de questionamentos do ser humano.